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A Morte da Bezerra

Autores, Rogério Sousapublicado Domingo, Março 28, 2010Comentários Desligados

6. A Democracia da Saúde

Foi com grande felicidade que pude assistir no passado domingo, em directo, à contagem dos votos necessários para que a Câmara dos representantes norte-americana aprovasse o projecto de lei sobre a Reforma da Saúde que Barack Obama, e os democratas, tão vigorosamente defenderam nestes últimos tempos.

De cada vez que passei pela Fox News, especialmente nestes últimos dias em que a discussão esteve bastante acesa, à medida que o dia da votação se aproximava, sentia estranheza pela forma natural com que os argumentos contra tal projecto de lei eram apresentados. Em certos espaços noticiosos a contra-informação de direita radical, populista e demagógica, chegou não só ao ponto do insulto como ao da falácia argumentativa básica, de desvio de atenções e de dramatização histérica, que me fizeram por diversas vezes repensar o meu próprio modelo social.

Para mim, açoriano, português e europeu, é-me estranho pensar que a cultura norte-americana, enraizada no self made man, tivesse evoluído para este capitalismo de saúde que descarta a vida do concidadão com base no rendimento; é-me estranho considerar que a minha saúde se enquadra num determinado padrão de custo/benefício; é-me igualmente estranho admitir que, no caso de uma emergência de saúde, há hospitais com descontos de seguradoras e clínicas de tabela.

Para mim, europeu, a saúde – tal como a educação básica – é um bem essencial, um direito inalienável, tal como o direito à livre expressão. E por vezes, emersos que estamos num padrão cultural semelhante, é-nos difícil o afastamento para a consideração de realidades diferentes e, por conseguinte, para a sua aceitação.

Para mim, o domingo passado revestiu-se de uma importância história. Na aprovação deste projecto de lei está a declaração expressa de que o dinheiro não deve ser garante de saúde. A saúde deve ser para todos. Domingo passado aprovou-se, nos EUA, a democracia da saúde.

Rogério Sousa

Opiniões

Autores, Blog, João Cunhapublicado Sábado, Março 27, 20104 Comentários

Sentado aqui ao computador, sem energia e com pouca paciência, vou tentar por poucas palavras descrever aquilo que sinto em relação a este projecto “Ouvi Dizer”. Os nossos leitores frequentes já devem ter notado o silêncio das últimas semanas.

Por vezes a doença faz-se acompanhar por mais do que mal-estar e problemas, neste caso deu-me tempo para pensar… na blogosfera, realizar que esta massa anárquica de conteúdos e personalidades, impossível de conter, regular, instrumentalizar… é um “lugar” pouco recomendável, onde a confiança e a excelência são moedas num estranho jogo de influências.

O meu desejo inicial de escrever sem responsabilidade,  de ser ineputavel pelas minhas opiniões na blogosfera, esfumou-se com a realização de que a noção de liberdade é bonita apenas no papel. Acabei por me sentir “obrigado” a apresentar uma faceta perante amigos, família e colegas e outra faceta, frequentemente oposta, na blogosfera.

Como um Dr. Jackal/Mrs. Hide senti-me cansado e ligeiramente esquizofrénico com este malabarismo de opiniões e pontos de vista públicos e privados. Daí ter tomado a decisão de fazer uma pausa e repensar o que pretendo deste espaço… e especialmente se tenho coragem de assumir aquilo que verdadeiramente penso.

Em relação aos restantes colaboradores, irei continuar a publicar o conteúdo por eles submetido.

João Cunha

A Morte da Bezerra

Autores, Rogério Sousapublicado Quarta-feira, Março 10, 2010Comentários Desligados

5. Uma Genérica Questão

Com a apresentação do PEC e do OE para 2010, todas as suas reduções e alterações às tão consideradas «regras do jogo», a par das recentes polémicas envolvendo não só o Primeiro-Ministro e alguns representantes do Governo Português, não pode deixar de ser estranho esperar que o povo aceite isto tudo de ânimo leve e espírito optimista sem se questionar um pouco que seja.

Aparentemente, e pelo que algumas pessoas nos dizem em programas de debate e peças especiais sobre o estado do nosso país, vivemos tempos muito difíceis. Tempos de alteração daqueles que foram os pressupostos de trabalho de muitos; tempos em que os apoios sociais e algumas das regalias que tínhamos como garantidas têm de ser reduzidas; tempos em que, enfim, sentimos que do muito que damos, pouco recebemos. E é um sentimento legítimo, penso eu. Mais que não seja, por necessidade de explicação da situação real – talvez assim nós pudéssemos sentir que todos contribuíam para a melhoria do país.

Mais a mais, custa-nos, penso eu, que nos respondam às perguntas dizendo que isto não é só culpa da crise, não é só culpa dos últimos anos, não é só culpa do desaire que foi (e ainda é em alguns redutos) a gestão financeira do PSD; não é só culpa de Guterres, enfim, nem só culpa do Cavaco Silva (embora esse, lá no fundo, acaba por estar envolvido em dois descontrolos); não é só culpa de alguém. Bem, custa-nos, penso eu, que não haja um culpado identificável e que no fundo tenhamos que pagar todos a mesma factura.

Contudo, confesso sentir que muitas das medidas, apresentadas pelo Governo  apresentem soluções credíveis para a melhoria da situação efectiva do nosso país. No entanto, em algumas áreas, até penso que se está a ser benevolente, em detrimento de outras.

A questão dos genéricos continua a ser, para mim, uma matéria sensível para o Ministério da Saúde de Ana Jorge. A contínua falta de coragem em obrigar a sério os médicos a prescreverem os genéricos sempre que possível é, no mínimo, leve. E para comprovar, só assim, para dar um ar de graça à argumentação apresentada e justificada para continuar a deixar que o médico escolha sozinho a marca que lhe dá mais jeito, aqui fica a justificação do Director Geral da Mylan sobre o perigo de se prescrever genéricos: «não nos podemos esquecer que o grupo que mais consome medicamentos é o dos idosos, (…) Nesta população, uma adesão correcta à terapêutica instituída, obriga a uma análise muito cuidada por parte do médico. É preciso que o doente seja treinado de modo a cumprir escrupulosamente a posologia. (…) Agora imagine o que aconteceria se de cada vez que o idoso fosse buscar um medicamento à farmácia, lhe dessem uma embalagem diferente [genérico]. Era o caos!»

Rogério Sousa

Momentos – Workshop de Fotografia

Autores, Fotografia, João Cunhapublicado Sábado, Março 6, 20103 Comentários

Com o patrocínio do 1º Workshop de Fotografia – OLHAR A FOTOGRAFIA… DE OUTRO MODO, publico aqui uma das fotos que tirei esta tarde durante uma breve “saída de campo” para testar processos e métodos em condições de baixa luminosidade.

Mais tarde (amanhã) publico um breve review deste primeiro fim-de-semana do workshop. Dica… espectacular!

João Cunha

Nova Página “Eventos”

Autores, Cultura, João Cunhapublicado Quinta-feira, Março 4, 2010Comentários Desligados

O Ouvi Dizer, em colaboração com a Associação Cultural Burra de Milho, disponibiliza a partir de hoje uma nova página de divulgação cultural.

Sentimos a necessidade de criar este novo espaço pois acontecem coisas incríveis na Terceira, coisas criativas, coisas de outros mundos, coisas de uma beleza extraordinária. A “cena cultural” na região nos últimos anos atingiu um crescendo de criatividade e inovação, muito por culpa de programas como o Lab Jovem e de associações como a Burra de Milho, existe um influxo de jovens criativos a alimentar um sem número de novos espaços culturais.

Num armazém abandonado, numa moderna sala de espectáculos ou no palco de uma sociedade, existe um mercado emergente de oportunidades e eventos onde nos podemos “perder” na herança e vanguarda da arte e cultura Açorianas.

Aqui ficam os links mais recentes com as recomendações do Ouvi Dizer e da Burra

Mostra LabJovem 2010

Semana da Cultura Açoriana – Teatro São Luiz

João Cunha

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