VOX POP – Desabafo
Sou licenciado em Geografia e Planeamento Regional. Desde 2005 apenas trabalhei/estagiei um ano na minha área (Protecção Civil, o estágio terminou e fomos à nossa vida).
Desde esse tempo que tenho (tal como a grande maioria de nós) feito a grande travessia do deserto.
Chega a uma altura em que questionamos tudo e todos. Acordas e pensas se valerá a pena o sacrifício feito durante tanto tempo, se vale a pena concorreres a lugares “fantasmas”, enfim…Qual o sentido de tudo isto!
A verdade é apenas uma, os concursos existem apenas para regularizar situações de pessoas que trabalham/colaboram nas devidas entidades/organismos. Acho justo que essas pessoas que trabalham a recibos verdes há anos sem fio tenham o direito a dar continuidade ao trabalho até aí desenvolvido. Pois de certeza que se dedicaram e merecem ter uma vida melhor e mais estável.
O que acho, é que se deveriam criar mecanismos para que essas pessoas (com ligações às entidades) “passassem” directamente a trabalhar nas entidades sem todas estas manobras cinzentas, e sem criarem ilusões em pessoas que ainda acreditam que estamos num país “normal”, entenda-se a maioria dos candidatos.
No meu caso, já não acredito nestes concursos, pois já passei por situações incríveis, que se tiverem interesse posso enunciar.
Continuo a concorrer? SIM! MAS, apenas aqueles locais que me são próximos geograficamente, e nos quais corro o risco de conhecer alguém que me possa “ajudar”! É triste mas é a realidade!
De momento o que realmente me preocupa é manter o meu posto de trabalho (no sector automóvel) que ocupo actualmente, e que inclusive, para ser admitido, tive que mentir e dizer que “apenas” possuía o Ensino Secundário.
A verdade é esta! O nosso país chegou a este ponto: TEMOS DE MENTIR PARA PODERMOS TRABALHAR (ainda que não seja na área que mais gostamos ou para a qual nos sentimos habilitados).
Em jeito de conclusão digo apenas: Quem trabalha na área deve dar o devido valor ao que faz, e deve faze-lo de forma séria e aplicada.
Aos que não trabalham na área: não esperem! Procurem trabalho noutras áreas, cresçam enquanto indivíduos e vão continuando a tentar esses falsos concursos, contudo, mantenham sempre os pés no chão e principalmente as ideias bem assentes.
Eduardo
Posts que podem interessar:
É a realidade de muitos…pior que muitos metem-se em dividas para pagarem os seus estudos a pensar que vão ter empregos com bons ordenados e dp no fim de contas a coisa não corre bem… É um risco que se corre e um risco maior quando não se tem “padrinhos” nos lugares certos.
É um desabafo legitimo, eu próprio quando saí da universidade comecei por fazer o programa estagiar L, como tantos outros… acabei por não ficar na empresa onde estagiei e fui para o desemprego.
Para “ganhar uns trocos” tirei o curso de nadador salvador e nesse verão trabalhei durante 6 meses nas praias do meu concelho. Ao fim desses 6 meses, voltei novamente para o desemprego.
Algumas semanas depois consegui uma entrevista para uma empresa que leccionava um programa escolar chamado “Ciência Divertida”, fui aceite e passei alguns meses a fazer experiências e ensinar ciência pelas escolas do ensino básico.
Entretanto fui a uma entrevista para uma vaga numa empresa que estava em formação. Felizmente consegui um contrato de 6 meses a receber o ordenado mínimo e a fazer o papel de “continuo”, era o típico office-boy, a fazer voltas e a entregar correio.
Depois de 6 meses sempre a correr, surgiu a oportunidade de entrar para um dos gabinetes técnicos, e desde então aqui estou.
Não podemos esperar ter tudo de mão beijada depois de acabarmos o ensino superior, temos que trabalhar e fazer por merecer as oportunidades. O problema são as dividas dos estudos, as expectativas dos pais, a ansiedade das namoradas, os desabafos de quem está/esteve numa situação semelhante…
Infelizmente pode não ser uma fotografia bem focada da realidade, mas que também não está assim tão desfocada quanto isso.
Paralelamente, existem também cursos que não preparam pessoas para o mercado de trabalho, outros cujas vagas são muito acima das necessidade.
Portanto, o referido no post tem muito a ver com um conjunto de aspectos mal sincronizados entre si e quem se lixa é o jovem que estudou sem perceber a realidade do mundo do trabalho.