Empreendedorismo Público
O post do Miguel sobre o ranking de Portugal no índice mundial de “governo electrónico”, levou-me a pensar (um pouco incoerentemente) sobre a relação entre o empreendedorismo das instituições públicas e o consumidor…
É óbvio que a nossa economia tem vindo a adaptar-se às vicissitudes da sociedade moderna ao longo dos últimos anos, em particular a nível temporal. Coisas que anteriormente demoravam várias horas ou dias agora demoram minutos ou segundos. Já não temos a expectativa de esperar que bens ou serviços nos sejam entregues a prazo, e as tendências de mercado, sociais, políticas, desenvolvem-se e evaporam-se num piscar de olhos.
Enquanto que os grandes centros urbanos foram os primeiros a sentir estas mudanças, presentemente o país quase por inteiro encontra à sua disposição Internet em banda larga, em@il, cobertura de telemóvel, lançamentos de produtos a nível nacional, e stocks actualizados na prateleiras do comércio. No entanto, neste mundo mais rápido, os consumidores e as empresas encontram-se frequentemente limitados pelo tempo de resposta das instituições públicas locais, regionais, nacionais.
As consequências imediatas passam por um certo sentimento de discórdia entre o que as pessoas querem e o que o governo oferece. Temos um claro impedimento ao desenvolvimento económico numa era em que as instituições locais pregam o empreendedorismo como salvação de um tecido económico moribundo. Daí a percepção social de um certo enfraquecimento da governação na medida que o público e as empresas a vêm como um obstáculo, irrelevante…
Mas um obstáculo em que sentido? Vivemos num ciclo económico onde o empreendedorismo e a capacidade de ultrapassar a limitação de recursos, são os principais factores de desenvolvimento económico local. Não só localmente mas globalmente, na medida que o empreendedorismo não pode ser definido como um conceito meramente individual, onde o pequeno inovador cria a sua empresa e explora um nicho, as grandes multinacionais são motores de inovação quando exploram o mercado e as oportunidades presentes com produtos que vão além da percepção tradicional.
No entanto, as instituições públicas não se regem pelo mesmo standard de inovação que os privados. É certo que as tentativas para reinventar a governação, com a redução de custos, da duplicação de dados, impostas entre outras pelas medidas de governo electrónico, são um passo entre os muitos necessários… mas falta-nos estabelecer séries de parâmetros para implementar/avaliar o empreendedorismo público, institucional, para definir os serviços que realmente são inovadores, que preenchem o “nicho de mercado” no sector público que irá captar/beneficiar os “clientes”.
Eu sei… não é uma definição concisa e fácil de interpretar, o empreendedorismo público, mas tal dificuldade em identificar o que é necessário fazer só demonstra a complexidade do problema. Apesar de ser relativamente fácil elaborar uma lista de termos e conceitos generalizados, é muito mais difícil delinear o que podemos considerar comportamentos empreendedores.
Pode ser que apesar de descrevermos as características de um comportamento empreendedor, tenhamos dificuldade em o definir… pode ser que alguém aqui tenha melhor sorte?
João Cunha
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João confesso que me perdi na tua exposição e fiquei sem perceber qual era o essencial da mensagem, mas 2 aspectos penso que não estou em sintonia total contigo:
“… os consumidores e as empresas encontram-se frequentemente limitados pelo tempo de resposta das instituições públicas locais, regionais, nacionais.”
É verdade que as instituições são frequentemente acusadas de não responder celeremente, o que é real por vezes, mas há muitas acusações de atraso porque os empreendedores não querem aceitar o quadro da resposta, porque não requerem os pedidos com o minímo de elementos necessários para os analisar ou porque partem do princípio que as suas iniciativas devem ser aceites sem condicionantes e por isso não necessitam de se preparar. (também há excepções)
“As consequências imediatas passam por um certo sentimento de discórdia entre o que as pessoas querem e o que o governo oferece.”
Pois apesar de eu não ser um defensor da política económica do governo da república ou da região, se há coisa que eu os elogio é no campo da oferta no domínio do e-government… e a discórdia muitas vezes surge porque os utilizadores não sabem aproveitar o que está disponível ou porque mantém o princípio de que o serviço do estado é fazer-lhes a papinha toda, em vez de lhes dar os meios para a fazer. Novamente há excepções e maus serviços do lado público.
Pois, a mensagem podia estar mais clara, é um dos vários problemas que a minha escrita apresenta, demasiado desorganizada no modo como expõe a mensagem.
Mas no básico tentei expor um pouco o problema da falta de inovação no sector público quando este continua a pedir que o privado assuma a responsabilidade de inovar e empreender para o bem do país.
Não basta colocar serviços online que sejam uma tradução directa dos serviços que pretendam substituir, quando temos que passar pelo mesmo número de passos e processos arcaicos.
Não basta fazer questionários sobre a qualidade do atendimento físico e dos serviços técnicos, quando a vasta maioria dos funcionários públicos já não tem uma formação há anos. Quando a palavra “avaliar” assume o papel de mecanismo de progressão na carreira e não o de mecanismo de evolução e optimização de processos.
P.S… tenho uma quantidade de comentários a posts interessantes em backlog para realizar, especialmente aos teus dois últimos posts no Mente Livre, realmente fantásticos. Hoje ou este fim de semana passo por lá.