“Justice denied anywhere diminishes justice everywhere.” Martin Luther King, Jr

Virtudes

Actualidade, Autores, João Cunhapublicado Terça-feira, Janeiro 26, 20101 Comentário

O recente escândalo envolvendo a divulgação das escutas telefónicas a Pinta da Costa e outros personagens do processo “Apito Dourado”, levou-me a considerar o papel dos media na justiça dita social, não me refiro à demanda pela paz, igualdade e justiça, mas sim a justiça dita democrática onde figura linchamento na praça pública.

A sociedade ocidental é seduzida pelo crime e pela justiça. Dos filmes, aos livros, jornais, revistas, TV, às conversas de café, a palavra é uma de direito, vergonha… de julgamento.

O nosso frenesim é alimentado pelos media, que desempenham um papel cada vez mais preponderante no desenvolvimento do sistema judicial moderno. Vitimas, criminosos, agentes da lei, cujos papeis são determinados pela imagem que detêm na comunicação social. Não é um salto muito grande ao afirmar que o conhecimento, a visão que a sociedade tem sobre o crime e a justiça advém desta promiscuidade entre a realidade e a ficção transmitida diariamente para o nosso quotidiano.

Da Magia do C.S.I à perseguição em marcha lenta da TVI a Sócrates ao longo de 4 longos anos, somos uma audiência cativa, voluntária da percepção de que a “justiça do povo” não olha a meios na procura da sentença moralmente recta… construímos juízos de valor absoluto, sobre crimes que nos são sugeridos por agentes que são tudo menos isentos.

Com o direito à livre expressão, vêm os limites e responsabilidades, se ao publicar algo, online ou no papel, prejudico o direito constitucional da presunção de inocência de um cidadão, neste caso em concreto de Pinto da Costa, mesmo absolvido de quaisquer crimes vê a sua imagem associada a actos que não lhe são imputáveis.

A pergunta que lhes deixo… somos moralmente obrigados a enveredar por este caminho da “justiça da noite”, devido a um sistema judicial inoperante ou… simplesmente mantemos uma demanda mórbida pela destruição do “outro” como para justificar as nossas insuficiências?

João Cunha

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1 Comentário a “Virtudes”

  1. cefaria says:

    Não somos obrigados a enveredar pelo caminho que referiste, mas um sistema judicial inoperante, numa situação de crise e onde os OCS não cumprem bem o seu trabalho (falei disto no último post do Mente Livre), é abrir escancaradamente portões para se entrar nesse campo e torna-se difícil não ir com a multidão que assim se liberta também de muitos dos seus problemas de consciência.

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