Saco de Plástico
O saco de plástico… exemplo máximo de comodismo da sociedade moderna. Por cada iogurte, maçã, garrafa de cerveja ou caixa de pastilhas, a menina da caixa tem sempre um saco de plástico para nos socorrer da constrangedora sensação de “onde será que vou por isto?”.
Não é que não existam alternativas, desde o saco de papel, de pano aos cestos de vimes ou plástico. O problema é que as alternativas são bem mais dispendiosas do que os ditos sacos… mais baratos (até quatro vezes menos no caso do saco de papel), mais leves e impermeáveis.
Mas será que o nosso comodismo e o nosso bolso se sobrepõem ao custo ambiental de perto de 1 trilião de sacos (estimativa mundial) produzidos anualmente? Quando comparado com o saco de papel por exemplo, a produção do saco de plástico utiliza menos energia (- 40%), menos água, gera menos resíduos (-80%) e menos poluição (-70%) … a alternativa mais comum, o saco de papel, não é uma solução viável, o custo ambiental da produção é sem duvida mais elevado, tanto a nível da poluição/resíduos como no abate massivo de arvores.
Dados que fariam supor que o uso do saco de plástico colocaria um sorriso estúpido na cara de qualquer ambientalista? Não necessariamente… quantos de nós colocam o saco de plástico no ECOPONTO Amarelo? Quantos de nós reutilizam o saco de plástico para algo mais do que uma alternativa rápida ao saco do lixo? A realidade é que a vasta maioria dos sacos de plástico em Portugal vão direitinhos para os aterros municipais, e como sabemos, o plástico não é propriamente bio-degradável.
A solução para tanto desperdício? A reutilização, seja levar o saco de plástico quando voltar a uma superfície comercial para lhe dar novamente uso, ou colocar o dito saco para reciclar. Mas tal ideia vai contra o princípio máximo do comodismo nacional…
Como lutar contra essa inactividade ambiental? Seguimos o exemplo irlandês, sim os mesmos irlandeses a que chamamos retrógrados no seguimento de um qualquer referendo, estão a dar passos largos para combater os problemas motivados pelo uso excessivo do saco de plástico.
A Irlanda planeia duplicar o imposto a pagar por cada saco de plástico, primeiro como medida para proteger o ambiente, segundo como fonte de rendimentos para aplicar em projectos de sustentabilidade ambiental.
É preciso notar que a Irlanda foi a primeira nação a implementar uma taxa sobre a venda do saco de plástico em 2002, com efeito imediato no seu uso. O aumento substancial dessa taxa irá contribuir para promover o uso de sacos reutilizáveis e a racionalidade no uso dos recursos existentes.
Espero que o Governo Socialista aceite a proposta do grupo de trabalho que elaborou um estudo sobre a política fiscal, onde surge a recomendação para a subida no preço (mediante imposto) das embalagens e sacos de plástico.
O sucesso do caso irlandês só vem mostrar que o comodismo provocado pela disponibilidade barata do saco de plástico ao balcão das grandes superfícies pode ser combatido ao transitar o seu custo ambiental para o consumidor… de modo a que este sinta um impacto real e pare para pensar se deve ou não colocar aquela banana no saquinho.
João Cunha
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João…
Sem querer desmotivar ninguém, acho que será más fácil para eles (Governo)criarem (ou mandar criar)algo do tipo, “1 saco 1 cêntimo” e fazer com as pessoas os entreguem, do que criar um novo imposto para algo que,como dizes e bem, “o comodismo e o nosso bolso se sobrepõem ao custo ambiental”. Aquele “saco” continua a fazer muita falta..!
Cumptos
Concordo que seja um sistema de incentivos para a entrega de materiais recicláveis. Tal sistema passaria não só pela entrega a pontos de recolha mas igualmente por descontos significativos nas facturas de recolha de resíduos domésticos para as famílias que fizessem um esforço para promover a separação dentro de portas.