Autores, Convidados, Vox Pop•
on Março 1st, 2010•
Sou licenciado em Geografia e Planeamento Regional. Desde 2005 apenas trabalhei/estagiei um ano na minha área (Protecção Civil, o estágio terminou e fomos à nossa vida).
Desde esse tempo que tenho (tal como a grande maioria de nós) feito a grande travessia do deserto.
Chega a uma altura em que questionamos tudo e todos. Acordas e pensas se valerá a pena o sacrifício feito durante tanto tempo, se vale a pena concorreres a lugares “fantasmas”, enfim…Qual o sentido de tudo isto!
A verdade é apenas uma, os concursos existem apenas para regularizar situações de pessoas que trabalham/colaboram nas devidas entidades/organismos. Acho justo que essas pessoas que trabalham a recibos verdes há anos sem fio tenham o direito a dar continuidade ao trabalho até aí desenvolvido. Pois de certeza que se dedicaram e merecem ter uma vida melhor e mais estável.
O que acho, é que se deveriam criar mecanismos para que essas pessoas (com ligações às entidades) “passassem” directamente a trabalhar nas entidades sem todas estas manobras cinzentas, e sem criarem ilusões em pessoas que ainda acreditam que estamos num país “normal”, entenda-se a maioria dos candidatos.
No meu caso, já não acredito nestes concursos, pois já passei por situações incríveis, que se tiverem interesse posso enunciar.
Continuo a concorrer? SIM! MAS, apenas aqueles locais que me são próximos geograficamente, e nos quais corro o risco de conhecer alguém que me possa “ajudar”! É triste mas é a realidade!
De momento o que realmente me preocupa é manter o meu posto de trabalho (no sector automóvel) que ocupo actualmente, e que inclusive, para ser admitido, tive que mentir e dizer que “apenas” possuía o Ensino Secundário.
A verdade é esta! O nosso país chegou a este ponto: TEMOS DE MENTIR PARA PODERMOS TRABALHAR (ainda que não seja na área que mais gostamos ou para a qual nos sentimos habilitados).
Em jeito de conclusão digo apenas: Quem trabalha na área deve dar o devido valor ao que faz, e deve faze-lo de forma séria e aplicada.
Aos que não trabalham na área: não esperem! Procurem trabalho noutras áreas, cresçam enquanto indivíduos e vão continuando a tentar esses falsos concursos, contudo, mantenham sempre os pés no chão e principalmente as ideias bem assentes.
Eduardo
Autores, Convidados•
on Novembro 23rd, 2009•
Esta semana os posts fotográficos vão ser da autoria do meu grande amigo Celso Medeiros. – João Cunha

Celso Medeiros
Gostaria de partilhar convosco um episódio real, passado na nossa pacata Ilha Terceira, ainda antes do Sismo de 80 e que só um “praiense” pode compreender…
Por esses tempos, as leis da República tinham uma interpretação muito própria na Ilha, fazendo adivinhar o senhor santo que mandava e a santa presença dos americanos.
De todas as ideias instituídas como verdades morais, nunca esquecerei a consciência dos mais velhos, da sua obrigação de voto no senhor Mota Amaral, sob pena de não chegarem ao Céu (se calhar tinham razão…), e que roubar aos americanos não era pecado.
E é neste contexto que um belo fim de tarde, ao limpar um escritório na Base da Lajes um terceirense que trabalhava para os americanos vê uma máquina de escrever novinha em folha, ainda no seu caixotinho, acabadinha de entregar. A filha dele até andava a tirar o curso de dactilografia lá na Base… O futuro da rapariga prometia. Esperava-a um emprego na Base. Num escritório. Numa secretária, a escrever à máquina.
Aquele caixotinho tinha de sair com ele! Que raio de pai saía daquele escritório sem trazer uma coisa tão importante para a filha treinar?
Até era pecado deixar ali a máquina… Novinha!
Findas as limpezas, lá vem o bom pai agarrado ao caixotinho pelas ruas da Base até se aproximar da Porta d´Armas (o belo do Posto 1). Nisso é que não havia pensado… Sair da Base com algo volumoso era sempre sinónimo de revista pelo PA de serviço.
Parou para pensar, sem grandes esperanças. Se coubesse no bolso das calças…
Estando já a ponto de deixar o caixotinho no chão como se não fosse nada como ele, vê um americano dirigir-se a pé para a Porta d’ Armas. Era Deus que tinha enviado aquele americano a este bom pai…
Guarda uma certa distância, a de segurança, e caminha atrás do americano dirigindo-se à Porta d’Armas quando lhe perguntam:
“Onde vai com esse caixote?”
e responde:
“Ê sei lhá. Trabalhe p’este BURRO, ande atrás dele há uoras, na sei ponde é q’ele quer i.”
Fernanda Aguiar
Autores, Convidados, Cultura•
on Junho 3rd, 2009•
A 6 de Junho no Auditório do Ramo Grande
“Nino e Petru” – Pelo Teatrinho
21h30
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