Os conceitos de empreendedorismo e empreendedor têm sido bastante discutidos nos últimos tempos. No entanto, podem ser facilmente confundidos com meras palavras que se utilizam na elaboração de propostas eleitorais, sempre bem recebidas pelos eleitores mas pouco funcionais na sua prática e até cansativas – um pouco como aconteceu com a questão das pequenas, médias, e mini empresas.
A verdade, contudo, é que quer empreendedorismo como os estudos e as consequências práticas da aplicação das formas de actuação dos indivíduos, quer também empreendedor como aquele indivíduo que actua de uma forma que dá corpo ao estudo do empreendedorismo, quer um quer o outro, dizia, estão intimamente associados à ideia fulcral de geração de riqueza. Uma riqueza que é gerada pela inovadora forma de actuação e de gestão do indivíduo. Daquele que, pelas suas características modernas, qualificadas e criativas, consegue idealizar soluções e projectos que são determinantes na economia de mercado onde são implementadas.
A Juventude Socialista Açores trouxe a público a intenção de levar ao Parlamento Regional dos Açores no próximo mês uma proposta que contempla a educação para o empreendedorismo nas escolas. Um objectivo transversal a toda uma actuação orgânica, que contempla não só alunos do 3º ciclo como também do secundário, não caindo no fácil e óbvio da criação de mais disciplinas no currículo regional. Pelo contrário, esta proposta vai ao encontro da necessidade de se promover uma cultura açoriana de empreendedorismo, através de estratégias transversais a todo o sistema de ensino-aprendizagem. Estratégias que espelham uma cultura que deveria ser incutida como sendo um pilar fundamental do desenvolvimento da economia açoriana e na garantia de uma geração de riqueza futura.
Investir numa cultura de empreendedorismo é investir numa visão social e económica que permite a aplicação de soluções criativas e modernas que inevitavelmente serão determinantes para o crescimento dos Açores, em geral. Ensinar aos nossos jovens que o futuro está nas suas mãos; que existem mecanismos de apoio e plataformas sustentadas de promoção da iniciativa, da criatividade e da autonomia como veículos de qualificação, é um objectivo a que não nos devemos esquivar.
Nas duas últimas catástrofes naturais em território nacional (Madeira, Açores), pudemos ver, sentir, desesperar… quase em tempo real com todos aqueles que foram afectados.
Enquanto vejo à distância de um clique a devastação que assolou as populações, realizo o pouco valor que dou a não ter sido “eu” o afectado por um deslizamento, por uma cheia, por um furacão, tornado, terramoto. Vejo nas transmissões, nas fotos, o desespero nos olhos das vítimas, a enormidade da sua perda, sinto dormente a sua tristeza e o seu desamparo.
Nesta comunidade global onde nos inserimos, as redes de suporte multiplicam-se perante a desgraça a meio mundo de distância, desde campanhas de solidariedade no Twitter, a grupos de apoio no Facebook, todos nós podemos contribuir na medida da nossa consciência.
Dê um gesto: A Portugal Telecom e TMN disponibilizam os números 61906 (SMS) e 760206070 (chamada) com um custo de 60 cêntimos mais IVA. O valor total angariado reverterá a favor da Cáritas Diocesana do Funchal.
Aqui por estes lados, esta semana foi uma de queimar os fusíveis, rebentar as lâmpadas, bla, bla, bla… sinónimo, para com a imprensa escrita. Bem, talvez nem toda a imprensa escrita, a Auto Hoje continua a ter um papel preponderante no meu desenvolvimento como cidadão revoltado com o ISV.
De qualquer modo, estava, ou ia, a falar sobre os colunistas que habitam as páginas dos jornais. É de esperar que estes tipos tenham os seus fãs e críticos, o comentário cáustico é frequentemente esperado e contrariado num jogo sem fim de negações, justificações e demissões.
Do público ao privado, dos mexericos aos desportivos, das finanças aos obituários, os colunistas ocupam das posições mais “poderosas” nos media. Não só informam, como influenciam mercados e opiniões, criam e destroem carreiras, justificam ou deploram guerras.
Quando um colunista reputado mexe os dedinhos, os políticos, as celebridades… quem depende da opinião pública, procuram o seu patronado ou a sua destruição. Não é surpreendente encontrar as palavras sussurradas de um primeiro-ministro na coluna semanal de um diário, ou as criticas veladas de uma procuradora geral nas palavras de um certo fiscalista.
Essas relações, frequentemente associadas a um nepotismo crasso, tornam essencial a garantia de uma certa qualidade e capacidade de quem tem a oportunidade de escrever para o grande público… a não ser que o objectivo seja entreter, divertir… distrair.
Ironicamente, vejo o colunista tipo, como um contraponto aos editores que procuram a seriedade e a imparcialidade… para quê restringir-nos à verdade quando a vida no país mágico das fadas e do faz de conta é tão mais divertida?
Ao ler online, no site do Jornal “A União”, a crónica mais recente de Tomaz Dentinho, questiono-me sobre a responsabilidade de quem publica conteúdo nas suas mais variadas formas. Responsabilidade em informar, de interpretar, de comunicar… influenciar.
O jornalista, neste caso o autor, tem na ponta dos seus dedos o poder de comunicar um ponto de vista, a responsabilidade de transmitir um argumento válido com “valor acrescentado” para a sociedade.
Esse valor, puramente subjectivo mediante o leitor, está directamente associado ao ideal de “qualidade jornalística”. Na era da proliferação da informação grátis, onde a wikipédia é citada como fonte tanto em palestras como às mesas dos cafés, será demasiado pedir que o preço de capa de um jornal seja protecção da estupidez colectiva da verdade por aclamação?
Mas publicar num jornal é coisa séria, um marco de emancipação intelectual perante os nossos semelhantes. Daí a necessidade de manter a coluna semanal sempre a rolar, de publicar o mais possível no menor tempo, porventura a negação de um certo investimento emocional e intelectual no trabalho sério, ponderado… de qualidade.
Quando a qualidade da informação passa frequentemente pela atenção ao detalhe, pela precisão dos dados, pela execução da análise, vemos artigos que citam crise energética, tendências migratórias entre três continentes, a SATA… e por mais estranho que pareça… autocratas e investimento público. Suponho que devemos tomar o autor por uma voz lúcida por entre os muitos disparates de um governo que obviamente não é capaz? Ou talvez voltamos a ler o artigo e perguntamos… “onde está a introdução do problema, onde está o desenvolvimento… e porra! onde está a merda da conclusão?”
Muito foi escrito e dito nestas últimas semanas em que se discutiu não só Orçamento de Estado para 2010 como também as propostas (recentemente aprovadas) à alteração à Lei das Finanças Regionais. Não direi mais do que os especialistas e intervenientes na matéria disseram e alertaram, com os argumentos que todos nós conhecemos e vimos desfilar nos ecrãs e páginas dos jornais. No entanto, não deixa de ser interessante o nível de oportunismo político que cada partido reclamou com o OE e tentou vender como sendo a defesa dos reais interesses da nação – seja lá o que isso for. O Bloco de Esquerda, sempre na vanguarda da luta e como partido «à frente» que é, veio logo a correr aos jornalistas para prestar declarações acerca do documento apresentado por Teixeira dos Santos a Jaime Game. E que declarações foram essas? Que não conheciam o documento aprovado e que esperavam para o dia seguinte para demais declarações. Que estavam então a fazer? A marcar presença, como tão bem referiu a jornalista da SIC Notícias a relatar este jogo.
E neste jogo do aparece, com as propostas de alteração à lei das Finanças Regionais assistiu-se a uma claque (o PSD Açores) a defender os interesses da claque “adversária” (o PSD Madeira) – torcendo para que os outros vencessem. É que não só temos uma aprovação oportunista de uma lei que nivela realidades diferentes, como também temos o aval dado para que se aumente o gasto orçamental de um país. A verdade é que, com toda esta «novela», a Assembleia da República acaba por premiar a gestão danosa, irresponsável e desbocada de uma região, tudo em nome da necessidade de «marcar agenda» por parte de uma oposição que se vê sem espinha dorsal.
Para além de todas as implicações políticas desta discussão, sobressaiu a falta de carácter da oposição neste assunto: aprovou em uníssono (não porque acreditem, mas porque, e só porque, lhes convém a exposição mediática e a paz podre) alterações que não atendem às particularidades de cada uma das regiões e reforça positivamente os gastadores, os despesistas e os irresponsáveis. Não me venham depois falar em «Integridade» nem em «Moral».
A igualdade não é tratar todos de igual modo: é tratar com igual justiça aquilo que é diferente. A Madeira é diferente dos Açores – e não há lei das Finanças Regionais que me venha provar o contrário.
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